Sex. Mar 13th, 2026

Maputo, Moçambique – O sul de Moçambique foi palco de uma das mais graves tragédias rodoviárias dos últimos tempos, com um saldo de 35 mortos e 13 feridos em acidentes ocorridos nesta segunda-feira nas províncias de Maputo e Gaza. As autoridades do Instituto Nacional de Transportes Rodoviários (INATRO) confirmaram o balanço trágico e apontaram o excesso de velocidade como principal causa dos sinistros.

Dois Acidentes de Grandes Proporções

O primeiro e mais grave acidente ocorreu nas primeiras horas da manhã, por volta das 4h45, no distrito de Manhiça, província de Maputo. Um autocarro de passageiros despistou-se na Estrada Nacional 1 (N1), resultando em 23 mortos e quatro feridos. As primeiras investigações indiciam que o excesso de velocidade terá sido o fator determinante para a tragédia.

Horas mais tarde, no distrito de Chongoene, província de Gaza, registou-se outro acidente de gravidade extrema. Uma colisão frontal entre um veículo de transporte semipúblico de passageiros e um caminhão provocou 11 mortos e seis feridos. As autoridades rodoviárias atribuíram este sinistro a uma conjugação perigosa de fatores: ultrapassagens ilegais, excesso de velocidade e fadiga do motorista.

Irregularidades Detetadas e Apelo às Autoridades

Nelson Nunes, presidente do INATRO, foi incisivo na sua declaração à imprensa: “No local também foram constatadas diversas irregularidades, entre elas o transporte de passageiros sem a devida licença para transporte público, o descumprimento dos horários de circulação e a violação da portaria que regulamenta o horário de circulação de veículos pesados”.

O responsável apelou ao cumprimento do código da estrada como medida fundamental para evitar fatalidades, sublinhando a necessidade de todos os intervenientes no trânsito – condutores, peões e autoridades – assumirem as suas responsabilidades.

Contexto Nacional Preocupante

Esta tragédia ocorre num contexto já preocupante de sinistralidade rodoviária em Moçambique. De acordo com dados da polícia moçambicana, pelo menos 409 pessoas morreram no primeiro semestre deste ano em acidentes de viação, que provocaram ainda 823 feridos.

Os números revelam uma tendência preocupante: comparativamente ao mesmo período de 2024, registou-se um aumento de 43 mortes (eram 366 óbitos no primeiro semestre do ano passado) e um crescimento no número total de acidentes (326 face aos 310 do ano anterior).

Resposta Governamental e Medidas de Prevenção

Perante este cenário, o governo moçambicano aprovou, já no passado dia 15 de abril, um Plano de Ação para a Segurança Rodoviária. Este plano prevê um conjunto de medidas integradas para reduzir o número de acidentes, incluindo:

  • Reforço da fiscalização rodoviária

  • Revisão e atualização do quadro legal

  • Intervenções específicas em pontos críticos da rede rodoviária

  • Campanhas de sensibilização e consciencialização das comunidades

Em concreto, está previsto para 22 de agosto o lançamento da “Operação Freio”, uma iniciativa do INATRO destinada a controlar o excesso de velocidade e a condução sob influência de álcool.

Condições das Estradas e Apelo Presidencial

Para além do fator humano, as autoridades reconhecem que o estado de conservação das estradas nacionais tem contribuído para a ocorrência de acidentes. Neste momento, o Governo procura financiamento para reabilitar a EN1, principal autoestrada do país e palco de muitos dos acidentes mais graves.

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, dirigiu-se à nação na manhã desta segunda-feira para lançar um apelo à cautela na condução: “Gostaríamos de aproveitar esta oportunidade para enviar uma mensagem aos motoristas que utilizam as vias públicas para que dirijam com cautela e não infrinjam as regras de trânsito, o que acaba tirando a vida da nossa população”.

O Chefe de Estado endereçou ainda as suas condolências às famílias enlutadas, num momento de profunda comoção nacional.

Um Problema Estrutural

As taxas de acidentes rodoviários em Moçambique continuam a ser classificadas como dramáticas pelas autoridades, que identificam o excesso de velocidade e a condução sob influência de álcool como as principais causas evitáveis destas tragédias.

Esta segunda-feira negra nas estradas do sul de Moçambique serve como triste lembrete da urgência em implementar medidas eficazes de prevenção e controlo, num país que chora a perda de dezenas de vidas em acidentes que, na sua maioria, poderiam ser evitados.

 

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