Sáb. Jan 24th, 2026

Uma tragédia chocante abalou a cidade da Matola, na noite da última terça-feira (19), quando um adolescente de 14 anos esfaqueou e matou o próprio pai, depois de ter sido repreendido por chegar tarde a casa. O caso está a gerar ampla discussão nas redes sociais e em diferentes círculos comunitários.

A vítima, André Filipe Manuel, de 41 anos, era jurista e funcionário público desde 2007. Ao longo da sua carreira, exerceu funções na Direção-Geral de Impostos, no Gabinete de Planeamento, Estudos e Cooperação Internacional, e, mais recentemente, integrava a Unidade de Coordenação da Reforma Legislativa e Assuntos Jurídicos, onde permaneceu até ao dia da sua morte.

Natural da cidade e província de Inhambane, Manuel havia passado parte do dia em companhia do filho, incluindo uma visita à Escola Secundária de Mulovote, onde desempenhava também o papel de encarregado de educação e representante de pais na turma. Poucas horas depois, o ambiente familiar transformou-se em tragédia quando o filho, ao ser advertido pelo atraso na chegada a casa, atacou o pai com golpes fatais de faca.

Responsabilidade penal e menores em Moçambique

O caso levanta sérias reflexões sobre a delinquência juvenil e a aplicação da lei no país. Em Moçambique, a idade mínima de responsabilidade penal é de 16 anos. Menores abaixo desta idade não respondem criminalmente, estando apenas sujeitos a medidas de proteção e reeducação, conforme estabelecido na Lei da Organização Tutelar de Menores e no Código Penal.

Já para jovens entre 16 e 21 anos, a legislação prevê penas atenuadas, privilegiando programas de reeducação e acompanhamento psicológico, em detrimento de medidas puramente punitivas.

Desafios sociais e comportamento juvenil

Especialistas em psicologia alertam que comportamentos violentos em adolescentes podem estar ligados à ausência de empatia e ao crescimento de ambientes sociais e familiares frágeis. Alguns jovens, segundo os especialistas, apresentam perfis calculistas e manipuladores, tratando pessoas como objetos.

Outro fator de risco apontado é a influência das redes sociais, que muitas vezes moldam comportamentos e expõem adolescentes a conteúdos que reforçam padrões de violência, consumo de drogas, banalização da vida humana e práticas delinquentes.

Nos últimos anos, Moçambique tem registado um aumento de casos envolvendo menores em crimes graves, incluindo violações sexuais, homicídios, consumo de drogas e assaltos, o que acende um alerta sobre a necessidade de políticas públicas de prevenção, educação e apoio psicológico às famílias.

Uma tragédia que pede reflexão

O homicídio de André Filipe Manuel não é apenas um drama familiar, mas também um sinal de alerta para a sociedade moçambicana. Mais do que julgar a ação de um adolescente, o caso evidencia a urgência de reforçar os mecanismos de acompanhamento dos jovens, promover o diálogo familiar e investir em programas educativos e sociais que previnam a escalada da violência juvenil no país.

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