Ter. Jan 13th, 2026

    A Rede Viária de Moçambique (Revimo) encerrou o ano de 2024 com perdas estimadas em 2,8 milhões de euros (211 milhões de meticais), resultado direto da onda de violência que se seguiu às eleições gerais de 9 de outubro.

    Segundo o relatório anual da empresa, consultado pela imprensa, várias infraestruturas sob sua concessão – incluindo praças de portagem, sistemas de cobrança e centros de manutenção – foram alvo de bloqueios, vandalismo e incêndios, principalmente nas províncias de Maputo e Gaza.

    Impacto nas operações

    A instabilidade obrigou a Revimo a suspender as cobranças em 13 das 16 praças de portagem sob sua gestão, devido à falta de condições de segurança. Essa decisão afetou diretamente 418 colaboradores da empresa e mais de 1.000 trabalhadores indiretos de firmas subcontratadas.

    Apesar das dificuldades, a Revimo registou em 2024 um tráfego médio diário de 76.055 veículos, número que representa um crescimento de 42,6% face a 2023. As receitas também aumentaram, alcançando uma média diária de 7,2 mil milhões de meticais, um acréscimo de 12,3% em comparação ao ano anterior.

    Queda nos resultados financeiros

    A empresa fechou o exercício com lucros líquidos de 54,7 milhões de meticais (cerca de 736 mil euros), uma redução de 65% em relação a 2023. O documento aponta como fatores principais os protestos pós-eleitorais e os eventos climáticos extremos registados no primeiro trimestre, além do aumento dos custos de manutenção. Entre os projetos em curso, destaca-se a implementação de um plano de conservação especializado da Ponte Maputo-Katembe.

    Contexto político e social

    As manifestações e confrontos que se seguiram às eleições foram as mais intensas desde a introdução da democracia multipartidária em 1994. Muitos cidadãos contestaram os resultados oficiais, não reconhecidos pelo candidato da oposição Venâncio Mondlane.

    Entre as formas de protesto, registaram-se boicotes ao pagamento de portagens, destruição de cabines e ataques a infraestruturas rodoviárias em várias regiões. O país viveu meses de tensão, com relatos de saques, destruição de bens públicos e privados e cerca de 400 mortes.

    Somente em março de 2025 houve um primeiro encontro entre o Presidente da República e Venâncio Mondlane, em Maputo, para discutir medidas de pacificação. Um segundo encontro ocorreu em maio, reforçando o compromisso de estabilizar a situação nacional.

    Estradas sob gestão da Revimo

    Atualmente, a Revimo é responsável pela gestão de mais de 670 quilómetros de estradas, incluindo:

    • N6 (Beira–Machipanda): 287 km

    • Circular de Maputo: 71,4 km

    • R804 (Marracuene–Macaneta): 12 km

    • Ponte Maputo-KaTembe e ligações até Ponta do Ouro, Zitundo e Bela Vista-Boane: 187 km

    • R453 (Macia–Praia de Bilene): 38,5 km

    • N101 (Macia–Chokwé): 61,7 km

    • R448 (Chokwé–Macarretane): 21,8 km

    A estrutura acionista da Revimo é composta maioritariamente pelo Fundo de Estradas de Moçambique (68,7%), enquanto o Fundo de Pensões do Banco de Moçambique (Kuhanha) e o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) detêm, cada um, 14,7% das participações.

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