Seg. Mar 9th, 2026

Os prejuízos da LAM Linhas Aéreas de Moçambique dispararam para 3,977 mil milhões de meticais (62,1 milhões de euros) em 2023, obrigando o Estado a injectar mil milhões de meticais (15,6 milhões de euros) e a emitir uma carta de conforto em 2024.

A Companhia Aérea de Moçambique (LAM), que não divulgou publicamente as suas contas, registou prejuízos de 448,6 milhões de meticais (7 milhões de euros) em 2022, que dispararam no ano seguinte, de acordo com as mais recentes demonstrações financeiras disponíveis, a que a Lusa teve hoje acesso.

A companhia aérea moçambicana enfrenta problemas operacionais há vários anos, relacionados à frota reduzida e à falta de investimento, com uma série de incidentes não fatais atribuídos por especialistas à má manutenção das aeronaves. Atualmente, a empresa passa por um grande processo de reestruturação.

Apesar dos prejuízos acumulados naquele ano, quando a companhia aérea estatal era gerida pela sul-africana Fly Modern Ark (FMA), as vendas de serviços da LAM cresceram 4% em 2023 em comparação com o ano anterior, atingindo 8,813 mil milhões de meticais (118,7 milhões de euros), segundo o relatório.

O documento afirma que a LAM “obteve o compromisso” do acionista majoritário “de disponibilizar os recursos necessários” para que a empresa possa “cumprir com as suas obrigações e compromissos” perante terceiros, através de carta-conforto datada de 7 de outubro de 2024, emitida pelo Instituto de Gestão de Participações Estatais (Igepe).

“Além disso, entende que, em 2024, com um orçamento rigoroso e realista, tanto com o apoio dos acionistas quanto com medidas internas e externas, terá, no mínimo, liquidez suficiente para cumprir com seus compromissos”, previu a administração no relatório.

O documento acrescenta que, então, “atendendo ao prejuízo registado” no exercício fiscal “de 2023 e em anos anteriores”, e porque a empresa encerrou as contas desse ano com capitais próprios negativos de 19,67 mil milhões de meticais (291,4 milhões de dólares/265 milhões de euros), contra 16,765 mil milhões de meticais (307,5 milhões de dólares/225,8 milhões de euros) em 2022, e o activo circulante “era inferior ao passivo circulante” no valor aproximado de 18,641 mil milhões de meticais (281,4 milhões de dólares/251 milhões de euros), a continuidade da existência da transportadora estava em causa.

“Ciente desta situação, o conselho de administração apelou, através de diversas apresentações aos acionistas sobre a situação da empresa, e propôs medidas, umas de curto prazo e outras estratégicas, para manter a sustentabilidade da empresa”, lê-se no relatório, acrescentando que no ano fiscal findo em 31 de dezembro de 2023, o Estado “efetuou pagamentos suplementares acumulados no montante de 1.017.393.669 meticais [13,7 milhões de euros]”.

O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, afirmou a 28 de abril que existem “raposas e corruptos” dentro da LAM, com “conflitos de interesses” que impediram a reestruturação da empresa nos primeiros 100 dias de governação, incluindo a meta de adquirir três aeronaves nesse período.

A crise levou a empresa a praticamente cessar os voos internacionais este ano, concentrando-se nos voos domésticos. A crise também levou a uma nova administração em maio e à entrada da Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB), dos Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) e da Empresa Moçambicana de Seguros (Emose) como acionistas.

Para minimizar os cancelamentos recorrentes de voos, a empresa planeja adquirir cinco aeronaves Boeing 737-700 e, enquanto aguarda essa compra, lançou uma licitação para alugar outras cinco.

No dia 13 de maio, o Igepe anunciou também a demissão da administração da LAM e a nomeação de uma comissão de gestão presidida por Dane Kondic, de 60 anos, com dupla nacionalidade sérvia e australiana, antigo CEO da Air Serbia e antigo presidente do conselho de administração da companhia aérea portuguesa euroAtlantic.

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