Maputo, 19 de agosto de 2025 – O político moçambicano Venâncio Mondlane confirmou esta segunda-feira, em Maputo, a legalização do seu novo partido, Anamola, aprovado pelo Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos. A nova formação política inicia as atividades já na terça-feira (20), com a realização da primeira sessão extraordinária do Comitê Executivo.
Mondlane, que regressava de uma viagem ao exterior, foi recebido por dezenas de apoiadores no Aeroporto Internacional de Maputo, onde prometeu colocar “os interesses do povo acima dos interesses privados”.
“Continuaremos a defender o povo acima dos nossos bolsos. Preferimos morrer pelo povo a morrer roubando do povo”, declarou o líder político, que discursou erguendo a bandeira do partido.
Aprovação e símbolo do partido
O pedido de registo partidário foi submetido em abril e aprovado no dia 15 de agosto. Inicialmente batizado de Anamala, o partido foi renomeado para Anamola após exigência do governo, que considerou a primeira sigla com conotação linguística.
O logotipo oficial do partido é um punho fechado, que, segundo Mondlane, simboliza “unidade, coesão, solidariedade e foco comum entre os moçambicanos”.
Clima de tensão no aeroporto
A recepção ao político foi marcada por confrontos. A polícia disparou balas e gás lacrimogéneo para dispersar apoiadores que tentavam acompanhar a comitiva.
“Não viemos com armas, viemos com ideias. Temos que estar preparados para resistir, porque esta luta será dura e exigirá muitos sacrifícios”, afirmou Mondlane aos jornalistas.
Contexto político
Mondlane destacou que o partido irá travar uma luta legal, recordando as contestações que apresentou às eleições autárquicas de 2023, em Maputo, quando ainda era membro da Renamo.
Moçambique vive momentos de instabilidade desde as eleições gerais de outubro de 2024, contestadas por Mondlane, que rejeitou a vitória de Daniel Chapo, apoiado pela Frelimo. As manifestações e greves convocadas pelo político resultaram em confrontos que, segundo organizações civis, causaram cerca de 400 mortos.
Próximos passos
Com a legalização do Anamola, Mondlane passa a liderar um projeto político próprio. O ex-candidato presidencial garantiu que a nova formação dará prioridade à juventude e à luta contra a corrupção.
“O povo será sempre a nossa prioridade. Esta luta está apenas a começar”, concluiu.